Cash In Rio 2011

Cláudia Leite com pose roqueira

Depois de dez anos sem o Rock in Rio, podemos comemorar a reaparição do rock no território nacional. Será? Acabei lendo, não lembro quando, uma frase do Lobão: “Vão abrir os portões do Rock in Rio e as pessoas vão dançar quadrilha porque não sabem mais o que é Rock and roll!”. Ok, o cara pode até ter problemas pessoais pra afirmar isso, até dá pra concordar, mas vamos ver isso aí.

Vamos aos poucos: Analisando o contexto, as pessoas sabem o que é rock and roll. A questão é que as coisas mudaram. As coisas estão mudando. Nós somos mutáveis. Heráclito de Éfeso comparou nossa constante mutação com o fogo, que nunca conserva a sua forma. A ideia é algo como “a vida não é, a vida está” (não me lembro de onde surgiu essa colocação).

A cada instante as coisas se transformam. Não me refiro aqui a algum tipo de ideia semelhante a da autoajuda, eu não quero que as pessoas leiam isso e tomem consciência de algo ou coisa parecida. Longe de mim tal coisa! Onde quero chegar é no nervo da questão mais importante: a subjetividade e a contemporaneidade.

Ora, as músicas que a minha geração escutava há um tempo já não são mais escutadas pela maioria. Quero dizer, os tempos mudaram. Não só na música, claro. Há quarenta anos fumar era bonito, hoje em dia já é considerado feio pela maioria. O que nos subjetiva hoje já não é o que nos subjetivava outrora. Aqui me refiro a uma mudança que vai acontecendo em doses homeopáticas, não algo que nos é imposto à vista. Tanto é que nem notamos a mudança.

Outras críticas que eu escuto/leio/sinto/faço são sobre a participação de músicos que não estariam habilitados a subir no palco do Rock in Rio. Levando em consideração tudo que já falei acima, o que eu penso sobre isso é o seguinte: Se é considerado rock, que suba no palco. Agora se não é o caso, não. Para justificar minha colocação evoco a lógica do capitalismo. Quero dizer, não digo que o festival em questão é lugar apenas para um tipo de coisa, até podiam chamar o evento de Music in Rio (até que seria um nome bonito), onde quero chegar é que a inclusão de ritmos totalmente diferentes apenas serve para os organizadores levantar capital.

Aliás, as iniciais do festival formam a sigla RIR, que também deve ser o verbo preferido dos organizadores. Afinal, estão até vendendo produtos diversos com a marca Rock in Rio (até um carro!).

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2 Comentários

Arquivado em Diário, Informação, Música

2 Respostas para “Cash In Rio 2011

  1. Realmente, o Rock in Rio não deveria ter tal nome. Acho que Rock in Rio é apenas um nome comercial, porque o que menos tem lá é rock! De todas as noites, uma? Sábado teve uma prévia do domingo, somente.
    Acontece que o Rock in Rio é agora um evento que abriga vários estilos musicais. Para a galera de outras tribos, teria música eletrônica rolando ao mesmo tempo que o palco mundo! Isso mostra a proposta do evento, tender ao lado eclético e não mais ao Rock.
    É, bons eram os tempos em que se fazia jus ao nome. Atualmente, o negócio é lucrar.

  2. Rock in Rio também é um produto de consumo, vendido embaladinho, bonitinho, bem arrumadinho, para o povo consumir, se sentir feliz e ficar quietinho no seu canto, satisfeito. Muito bom o texto. Abraço!

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