Eu Não Preciso de Cotas, Mas Há Quem Precise

Sempre defendo a liberdade de expressão e a magnífica oportunidade que temos de pensarmos individualmente (quando é possível, se for possível, é claro). Agora, do modo que tomo parte de defensor, exijo ser defendido, ou apenas entendido ou respeitado. Claro que cabem críticas, tecnologia que nos deixa um passo a frente das máquinas.

O título é para chamar mesmo a atenção. Antes que me digam que eu não preciso de cotas raciais em vestibulares por ser branco e mais uns monte de blá blá blá. Em primeiro lugar, falar em algo racial é complicado. Assim, estamos falando de raça. Alguma pessoa que está a ler este texto, por ventura, não é da raça humana? Então, é claro que deixamos de lado um problema de racismo para conversarmos sobre um problema de cor.

Nós, homens, raça humana, multicolores, desde que nos conhecemos como seres pensantes (até por ali) nos damos por liberdade de fazer diferenciações. Possivelmente influenciados pelas dicotomias do capitalismo, mas isso é uma conversa para outra hora. Voltando: Diferenciamos classe, grau, gênero e cor. Vejamos, somos diferenciadores e diferenciados, afinal, somos também construtores e construtos dos nossos sistemas.

Já tendo citado algumas ideias para nos introduzir ao contexto, cito: Há um tempo atrás, cerca de uns 3 ou 4 anos, lembro de ter lido o nome de uma comunidade em uma rede social que me fez notar e pensar (ainda bem) como alguns membros da raça humana constroem ideias, ou formas de existência. O título da tal comunidade era: “Eu Não Preciso de Cotas, e Você?”. Uma boa forma de chamar uma comunidade com muitas pessoas de cor branca e talvez com oportunidades ímpares na qualidade estudantil.

Para que o Brasil não tenha tal sistema de cotas, é necessário admitir que estaremos tentando construir um país ideal. Ideal como aquilo que não alcançaremos. Quero dizer, onde está o Brasil sem diferenciação de cor? E, onde está o Brasil que oferece a mesma qualidade de ensino para todos os seus habitantes? Para quem não entendeu, aqui estou me referindo as diferenças entre escolas públicas e particulares, pública e pública e particular e particular. E, acima de tudo a todos aqueles cursinhos que antecedem o vestibular.

Também posso afirmar aqui que ninguém é prejudicado, tendo em vista que na competição (no caso o vestibular) ocorre com duplicidade, ou seja, os que participam das cotas só disputam com esse grupo e o restante da mesma forma. Desse modo, é falso dizer que um estudante com maior escore perde a vaga para um com menor escore por critério de cor.

E, se as cotas são consideradas discriminações partindo do Estado, então devemos considerar como tal tudo que diferencie alguns de outros, como incentivos fiscais, atendimentos prioritários, descontos estudantis, entre outros.

Espero ter chegado onde queria chegar.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Diário, Informação

2 Respostas para “Eu Não Preciso de Cotas, Mas Há Quem Precise

  1. Rodrigo Faccin

    ótimo texto!

  2. Parabéns, disseste muito bem. Também falei algo em meu blog. Abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s