Arquivo da categoria: Psicologia

Sobre o Que Tem ou Não Cultura

Tendo em vista que a cultura é algo distinto de algum grupo ou sociedade, é total ignorância aceitar tal ideia como algo que é bom ou é ruim, ou se serve ou se não serve. Veja bem, estamos cercados por forças que nos impulsionam ou nos impedem de agir de certa forma ou não. Isso é a cultura. Se tu vai (eu conjugo os verbos como eu quiser!) agir criminosamente é pouco provável que seja culpa de algum gene malvado que alienou os teus genes do bem, que seria uma ideia moralmente aceita tendo em vista que ao estudarmos genética, quando jovens, aceitávamos que os genes do castanho tomassem conta dos genes azuis.

Este texto serve de admoestação a ti, pessoa qualquer que teima que tuas influências são melhores que a dos outros. Não julgue como relapsa a forma que o povo aceita isso ou aquilo. Tudo é cultural. Também peço para que não culpe a educação oferecida nessas escolas que tem por aí, pois elas também estão dentro de um contexto cultural. Agora, o mais importante, caro egocêntrico: Não se descontrói o que foi construído em inúmeros anos em um instante. Isso é apenas destruição. Amanhã ou depois o que tu destruiu vai se reerguer e tuas críticas que partem do teu id para tentar erguer o teu ego vão continuar reclamando de choros, sem se dar por conta que é muito mais vantajoso evitar o derramamento de lágrimas.

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Um Martelo E Um Picador De gelo

Antigamente, os caras pensavam que, ao cortar nervos do cérebro, conseguir-se-ia reduzir o afeto e emoção para diminuir a criatividade e a imaginação, com a ideia de que tais características poderiam comprometer ainda mais a sanidade de pacientes psiquiátricos. Esse tipo de procedimento era chamado de lobotomia ou psicocirurgia.

Em meados de 1936 a 1950, Walter Freeman (o sujeito simpático que está martelando a cabeça do camarada da foto) desenvolveu uma técnica que pareceu ter sido criada numa garagem num domingo de tarde. Walter resolveu chamar sua criação de “ice pick lobotomy”, um procedimento no qual era literalmente utilizado um picador de gelo e um martelo de borracha ao invés de equipamento cirúrgico para realizar a lobotomia transorbital. Sem qualquer cicatriz visível, a lobotomia com picador de gelo foi tida como um grande avanço em cirurgia e era realizada com o avanço da anestesia local ou, quando realizada em hospitais psiquiátricos sem salas de cirurgia, após o uso de eletroconvulsoterapia para deixar o paciente inconsciente.

No que hoje é considerado uma barbarie, Freeman martelava o picador de gelo dentro do crânio logo acima do duto lacrimal e movia-o em várias direções.  E, com toda comercialidade do espírito americano, divulgou as lobotomias por todo seu país viajando em uma van que ele batizou de “lobotomobile” (algo como o batmóvel das lobotomias).

A divulgação de Freeman tornou a lobotomia popular, como uma cura para qualquer doença percebida, incluindo mal-comportamento em crianças.

O Brasil não ficou fora dessa. Em 1944, foi introduzido no Hospital São Pedro (em Porto Alegre) pelo cirurgião Almir Alves o procedimento da psicocirurgia, sendo que em um mês foram praticadas 25 intervenções.

É difícil acreditar, mas a psicocirurgia ainda é legalmente praticada e controlada nos Estados Unidos, Finlândia, Suécia, Reino Unido, Espanha, Índia, Bélgica, Holanda e no Brasil, no estado de São Paulo (como último recurso). Isso sim é loucura!

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Pierre Bourdieu (1930 – 2002)

Bourdieu

O camarada em questão teve sua formação em filosofia, porém suas principais ideias pendem pro lado da sociologia. Foi um ícone na pesquisa e no pensamentos sobre dominação. Assim,  também escreveu muito analisando a própria Sociologia enquanto disciplina e prática.

Pelo que eu considero, sua discussão sociológica centralizou-se, ao longo de sua obra, na tarefa de desvendar os mecanismos da reprodução social que legitimam as diversas formas de dominação. Além do mais, as colocações a cerca da dominação partem de Bourdieu com a mesma força que o biopoder parte de Foucault. No contexto escolar, o teórico francês, empreendeu uma investigação sociológica do conhecimento que detectou um jogo de dominação e reprodução de valores.

Aliás, hoje eu conversava com a Joci, minha namorada, sobre alguns sociólogos e nisso ela comentou que gostaria de ler um livro batizado de O Amor Pela Arte, que é de um sociólogo cujo nome ela não lembrava. Após descobrir que hoje é a data de nascimento de Bordieu, também descobri que o livro em questão é um lançamento dele. Hoje Pierre estaria completando 81 anos se não tivesse morrido em 2002.

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Subjetividade Capitalística

De forma simples e abreviada, capitalístico é o modo de produção capitalista disseminador de subjetividade, ou seja, é o capitalismo que produz subjetividade, que subjetiva o indivíduo. Toda a subjetivação é a modelização do modelo capitalístico. Essa subjetivação capitalística faz do homem um sujeito maquínico (diferente da mecânica, como máquinas teóricas, sociais, estéticas – produtoras de desejo). Esse sujeito vive em uma sociedade dominada pelo modo capitalista, onde tudo é fragmentado, desconstruível, instantâneo e volátil.

Félix Guattari

Pode-se pensar em uma concorrência como fonte de felicidade, mas que na realidade deixa o ser humano na angústia da solidão, tendo que lutar e competir contra todos, para poder sobreviver. Desta forma, os indivíduos são formados por “máquinas capitalísticas” e essas são constantemente formadas e modeladas. Pensando nisso, é possível concluir que cada sociedade corresponde a um campo de força que produz diferentes subjetividades.

Como já disse Guattari (foto), a vida doméstica vem sendo influenciada constantemente pela mídia. Esta vida conjugal e familiar se encontra ossificada por uma padronização de comportamentos, constantemente moldados dentro do paradigma da máquina capitalística. Esse controle se dá de forma rápida, imperceptível, constante e ilimitada, tendo a mídia como instrumento auxiliar principal na produção desejante. Assim, a subjetividade funciona em nossas formas de pensar, de perceber o mundo e de se relacionar com uma sociedade suporte das forças produtivas. Hoje em dia, as forças que administram o capitalismo, entenderam que é mais importante produzir subjetividade do que qualquer outra produção.

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Virtual, real e subjetividade

Virtualizando

O virtual não se opõe ao real, sendo produto de exteriorização de construções mentais em espaços de interação. Neste sentido, pode ser interpretado como uma maneira de ser diferente do possível e do real.

O termo deixa de ser um antônimo de real ao tentarmos definir o que se encaixa ou não nesse termo. Os conceitos de real, verdade, mentira, bom, mau, etc, são subjetivos. Quero dizer, algo pode ser real pra um sujeito e pode não ser para outro (aqui penso na subjetividade e subjetivação). O virtual é algo que não existe na forma física, mas nem por isso deixa de ter a possibilidade de ser real.

É possível pensar, além disso, na ideia de projeção incluída no contexto da virtualidade. Isto é, colocar um determinado viés a cerca de alguma determinada coisa. Quero dizer, o que eu penso sobre um lápis pode ser algo único (meu), e que não deixa de ser real, pelo menos para mim, que acredito que o lápis é o que mentalizei. Ou seja, externalizar algum conceito pode não ser palpável, logo, é virtual. Porém, não quer dizer que não seja real.

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Michel Foucault

Michel Foucault

Um pensador que nunca se deixa capturar por classificações…

Dizia ele: “Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo”. Um pensador engajado em um trabalho crítico de seu presente, de si mesmo, buscando, por meio da genealogia e da arqueologia, as rupturas e descontinuidades que engendram as imagens que temos de nós mesmos, dos outros e do mundo. Eis Foucault…

Aliás, hoje é aniversário de sua morte. Para ler uma biografia de Foucault, escrita por Daniel Molina, clica aqui.

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